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Indo além do rádio
(teatro/cinema/televisão)

Com o casamento com Renata, Cesar, que desde 1935 fazia eventuais participações no cinema – a primeira no filme “Alô, alô, Brasil” de Adhemar Gonzaga (Cinedia) – também se aproximou do teatro. Em 1955, ele, a esposa e os dois filhos do casal, Cesar e Renato – respectivamente nascidos em 1950 e 1952 – viajaram para Lisboa, onde permaneceram por 1 ano. Foram contratados pelo produtor Vasco Morgado para montar uma peça do teatro de revista estrelada por Renata e o comediante Raul Solnado. De volta ao Brasil, montou com a esposa uma companhia de teatro, onde além da produção, era o autor de diversas peças, que além da bela Renata Fronzi, traziam nomes como Walter D’Ávila, Anilza Leoni e o comediante Costinha.

O homem do rádio também flertava com a televisão, inclusive, quase sendo o responsável pela chegada dela ao Brasil ainda em meados de 1940. Seria como nos Estados Unidos, pelo sistema de cabos, numa parceria com a companhia telefônica. As transmissões partiriam da cidade de Petrópolis, onde Cesar era proprietário de uma casa para onde costumava passar as férias com a família dele. Entretanto, a iniciativa não deu certo, uma vez que ele não conseguiu um número suficiente de assinantes para a novidade. Além disso, os equipamentos que havia encomendado da RCA Victor nos EUA ficaram retidos na alfândega. Com tantas dificuldades, os brasileiros precisaram aguardar até 1950 para que a televisão finalmente chegasse ao país.

Por volta de 1940, Cesar e Paulo constituíram a Radio e Televisão do Brasil, a primeira emissora de TV do Brasil. Utilizando o sistema de cabos, o empreendimento teve como ponto de partida a cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os irmãos venderem ações do negócio e Cesar viajou para os Estados Unidos em busca de financiamento e para comprar equipamentos de captação e transmissão da RCA Victor em Nova York. Porém, na volta ao Brasil, Cesar se deparou com os primeiros testes do sistema de televisão via antenas feitos pelo jornal O Globo numa loja da Avenida Rio Branco, no centro Rio. O surgimento dessa concorrência ocasionou a desistência de muitos compradores do projeto de Petrópolis e a iniciativa dos Ladeira foi sepultada.

No entanto, apesar da má experiência em trazer a televisão para o Brasil, nos anos 1960, Cesar passou a fazer trabalhos como redator de programas como os do humorista Chico Anysio na TV Rio. E no apartamento onde morava com Renata e os filhos, era comum o elenco das atrações em que a atriz trabalhava reunir-se lá para passar seus textos ou simplesmente, confraternizar, em geral, o elenco do Teatrinho Trol do diretor Fábio Sabag, ou o Câmera Um de Jacy Campos, ambos da TV Tupi carioca. Volta e meia, Dorival Caymmi, vizinho do prédio ao lado, e amigo de Cesar desde os tempos da Mayrink Veiga, também aparecia com seu violão para cantar suas composições.

Com a explosão dos Beatles nos quatro cantos do mundo, os dois filhos de Cesar também se viram enfeitiçados pela música do quarteto inglês e acabaram formando seu próprio conjunto de rock, The Bubbles. Foi uma iniciativa que contou com o apoio de Ladeira, que acompanhava os rapazes em suas primeiras apresentações. Era uma época em que o radialista passara a ficar mais tempo em casa dedicando-se mais aos filhos, enquanto Renata tornava-se ainda mais popular com sua participação no humorístico da TV Record “A família Trapo”, ao lado de Ronald Golias, Otelo Zeloni, Cidinha Campos, Ricardo Corte Real e Jô Soares.