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A Revolução Constitucionalista

Cesar seguia seus dias satisfeito com a profissão que havia escolhido até o dia em que um divulgador da Rádio Record visitando a redação do “Diário de São Paulo”, em busca de propaganda para a emissora, lhe perguntou se não gostaria de ser speaker, um locutor, como o vocabulário da época, desde lá já influenciado pela língua inglesa, chamava os profissionais do microfone. O rapaz ficou de dar uma resposta mais tarde e após a saída do homem, foi para a máquina de escrever e redigiu um texto ao qual deu o título de “Se eu fosse speaker”. Nele, colocava no papel tudo o que gostaria de ver na programação de uma rádio. À noite, quando chegou à Rádio Record para apresentar-se como candidato ao cargo, o speaker de plantão lhe deu alguns informes publicitários para ler. Mas ele recusou, tirando do bolso o “Se eu fosse speaker”. A voz empostada de Cesar e a coerência de suas palavras resultaram em vários telefonemas de ouvintes que queriam elogiar o novo contratado da estação. Contudo, o diretor da Record desconfiou de tratar-se de um golpe do candidato, afinal, antes de Ladeira, outros cem haviam sido testados. Mas no dia seguinte, 30 de junho de 1931, após a comprovação de que seu teste não se tratava de uma estratégia para obter a vaga, com o ordenado de 500 cruzeiros mensais, Cesar Ladeira foi admitido como o mais novo speaker da Rádio Record de São Paulo. Desta vez, o jornalismo não teve como vencer a força das ondas do rádio.

Em 9 de julho de 1932, São Paulo deu início a o que ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista, que desejava derrubar Getúlio Vargas e enfim convocar eleições e uma Assembleia Constituinte. Todas as madrugadas, no horário de 2 às 4 horas da manhã, tendo o dobrado do compositor francês Joseph Farigoul, “Paris Belfort”, como fundo musical, Cesar usava sua voz vibrante para levantar a moral das tropas paulistas, clamar pela adesão dos demais estados brasileiros à causa e criticar Vargas. “Renuncie o ditador!” era como enfaticamente terminava seu discurso diário.

Entretanto, o esforço de Cesar Ladeira não foi páreo para o poder de Getúlio, que com sua máquina de propaganda, pôs em descrédito os ideais paulistas espalhando tratar-se de um movimento que visava separar São Paulo do restante do Brasil. Fora isso, seu poderio militar era infinitamente superior ao dos revoltosos, que em 4 de outubro de 1932, declararam sua rendição. Sufocada a revolta, seus principais integrantes foram presos e exilados. Cesar, que ficou conhecido como “a voz da Revolução”, foi enviado ao presídio do bairro do Paraíso onde ficou encarcerado por 16 dias. Seria enviado a Portugal, não fosse a intervenção do embaixador José Carlos de Macedo Soares, que conseguiu livrá-lo da prisão e do degredo.