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 Primeiros anos

“Meu sonho sempre foi ser jornalista. Nunca sonhei, em minha vida, ser locutor”. Nos primeiros anos de sua juventude, Cesar Ladeira conseguiu realizar esse sonho inicial, revelado durante uma entrevista ao jornal Diretrizes, de Campinas, a cidade em que nasceu em 11 de dezembro de 1910. Aos 16 anos, sob o pseudônimo de Itoby de Alencar, escreveu um artigo para o “jornal para moças”, A Kermesse, impresso na casa comercial Mascote, de propriedade de seu pai, José Martins Ladeira. Tempos depois, o rapaz passou a colaborar semanalmente no jornal Diretrizes numa coluna chamada Manhã, tarde e noite.

Entretanto, uma vez que o jornalismo não fosse considerado uma profissão com futuro garantido, com seus 18 anos, Cesar viajou para São Paulo a fim de estudar para formar-se advogado, matriculando-se na faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Mas o fórum paulista não ia contar com sua presença, pois não demorou muito para o jovem campineiro conseguir uma vaga como redator em O Diário de São Paulo, logo no lançamento do jornal em 6 de janeiro de 1929. Foi admitido como redator e mais tarde, também passou a trabalhar no “Correio da Tarde”. O jornalismo vencia mais uma vez.

Em outubro de 1930, depois de unirem forças, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, depuseram o presidente Washington Luiz, impedindo a posse de seu sucessor, o paulista Júlio Prestes, pondo fim à chamada “política café-com-leite”, em que mineiros e paulistas revezavam-se na presidência do país e à República Velha. O gaúcho de São Borja, Getúlio Vargas, assumiu provisoriamente o governo. Contudo, Vargas não demonstrava urgência em deixar o poder, o que começou a gerar descontentamentos. Cesar, que acompanhava a todos esses acontecimentos, com seu faro jornalístico, decidiu entrevistar o general Isidoro Dias Lopes, considerado por Getúlio um aliado por ter liderado em São Paulo a Revolta Militar de 1924, um dos movimentos que levaram à Revolução de 1930. Todavia, Isidoro demonstrava grande insatisfação com o governante provisório que não cumpria com a promessa de dar uma nova constituição ao país e muito menos convocar eleições. Nas páginas do “Correio da Tarde”, o jovem repórter reproduziu a ira do general em frases de impacto como: “Prefiro estender a mão à caridade pública a manchar os galões da minha farda com a politicalha do novo Governo”. A grande repercussão da entrevista fez com que a credibilidade de Cesar como jornalista se consolidasse. Seu sonho estava plenamente realizado.